sexta-feira, 4 de julho de 2014

Querida A.,

Acho que você é daquelas pessoas que reservam um espaço na estante para abrigar pequenas lembranças. Imagino uma caixa com bilhetes, letras de música, cartas, desenhos... a grande maioria deles do tempo de escola, quando essa era a forma mais fácil de convidar para ir ao cinema. Sinto que as que eu te enviei devem estar em algum lugar mais ou menos assim e fico feliz por ter se reportado as duas últimas cartas.

Não se assuste, o “tempo” será assunto recorrente nos meus escritos. Quando me dou conta ele já apareceu para pontuar uma reflexão e provocar aquele suspiro no final da frase. Mas obrigado pelo novo ponto de vista, estarei mais atento aos meus minutos.

Quanto ao livro, que, a partir de agora, me lembrarei dele carinhosamente como “o livro da dedicatória”, posso dizer que o amor nem sempre escolhe o caminho mais fácil. Entre idas e vindas, erros e acertos, alegrias e decepções... bem no meio está o amor. E nem todo mundo nasce equilibrista nesse picadeiro que é a vida. Mas até o Sr. Equilibrista teve que aprender a andar na corda bamba, então ai vamos nós. Enfim, um romance maduro.

Assim como os personagens do livro comemoravam uma determinada data, eu: o meu aniversário. Há quem atribua significados místicos para essa data (acho que eu sou um desses)... Eu renovo alguns votos que fiz a mim mesmo. Um deles é sempre estar aberto às mudanças.

Me conta uma lembrança que te faz feliz...

Abraços!

S.


“(...) e se eu pudesse te dar só um presente para o resto da sua vida seria este: CONFIANÇA. Seria o presente da confiança”.
- David Nicholls.

sábado, 28 de junho de 2014

Querido S.,

Muita coisa aconteceu desde a última carta que te enviei. Na verdade, na vida da gente sempre acontecem inúmeras coisas: o que de fato me ocorreu foi atentar para cada pequena mudança - a maior parte delas dentro de mim. Por isso não me vi em plenas condições de responder sua carta. 

Você justificou seu sumiço por falta de tempo, mas uma pessoa que muito admiro um dia me ensinou que "a verdade é que o tempo é uma abstração, você sempre o tem e não o tem - ao mesmo 'tempo' -; esse sentimento de posse é uma ilusão." Não te escrevi antes não por falta dele, mas por incapacidade minha de saber administrar os minutos que a vida me deu.

Gostaria de te fazer algumas perguntas, mesmo sem saber se tenho o direito depois de tantos dias em silêncio. 1. Qual sua impressão sobre o livro da dedicatória? (se foi de algum amor passado espero que tenha realmente cumprido sua missão, confesso que dedicatórias prévias inibem minha leitura). 2. Crise dos 20, dos 30, dos 40, como escapar de tamanha preocupação se a transformação é necessária? (pergunto não apenas para receber outra carta sua, mas porque preciso ouvir uma terceira opinião a respeito). 3. Vou demorar para ter respostas? (sim, isso é uma forma de pedir pressa, ainda que as palavras mereçam sua hora certa).

Um oi do lado de cá,
A.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Querida A.,


Faz muito tempo desde a última carta e mesmo assim não me sinto menos a vontade para arriscar te escrever algumas palavras, mesmo sem ter a certeza de uma resposta.

Desde “Um dia” outros livros vieram, angústias, pequenas paixões... o que garantiu a dose de emoção necessária para uma vida equilibrada. O que não quer dizer necessariamente que foi algo promissor, mas olhemos pelo lado bom, foi uma boa inspiração para escrever e iniciar uma peregrinação pelas cafeterias da cidade. E no final descobri uma coisa muito boa: café é paixão (também chamada de cabeça cheia de coisas para dizer) são ótimos ingredientes para uma boa crônica.

P.S.: Do tipo de confissão que se faz apenas quando se está divagando tarde da noite.

Não se passaram vinte anos, o tempo corre para a gente de uma forma diferente dos livros, nem gostaria de dar esse salto temporal na minha vida, acho que aos poucos sinto essa mudança... Conceitos e a forma de se relacionar mudaram, é a conhecida síndrome dos 20 anos (e acabo de revelar outra coisa sobre mim). Mas nada na vida é à toa. Entre erros e acertos, a responsabilidade. E hoje posso até achar que fiz bobagem, mas quando fiz, errei acreditando.

Abraços!
Daqui,  a Clarice Lispector me diz: “Se distraia menino”.

S.