quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Querida A.,



Para que servem os dias?
Dias são onde vivemos.
Eles vêm, nos acordam
Um depois do outro.
Servem para a gente ser feliz:
Onde podemos viver senão neles?

Esse pequeno trecho serve, em parte, para explicar o meu pequeno sumiço. Faltou-me tempo para tanta coisa! E a semana não me poupou, inclusive, de uma falta de inspiração para escrever. E para não te mandar uma folha em branco (e você me acharia louco ou coisa assim), dei um pouco de tempo ao tempo.

Bom, Srta S. (espero ser o “senhorita” o mais apropriado), fui arrumar minha estante de livros, e na hora de recolocá-los no lugar, caiu de um deles uma pequena dedicatória, datada de 16 de junho de 2012. E depois de ler algumas doces palavras, me senti um pouco envergonhado por ainda não ter lido aquele livro. E foi esse o meu projeto da última semana!


                                                             (Algo que pode ser a minha letra - bem caprichada!)

Um dia...

Enfim, aqui estou eu te escrevendo!



Abraços!
Daqui, Zélia Duncan canta “Telhados de Paris” e eu revivo a história do livro.
S.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Querido S.,

Depois que enviei minha última carta senti uma vontade desesperada de explodir a caixa de correios e pegá-la de volta. Não fiz isso como você pode ter notado. Passei dias aflita (bom, agora você sabe que sou uma mulher) pensando em como você receberia aquelas palavras um tanto ríspidas. Não costumo ser daquele jeito mas a liberdade de escrever sem saber o destinatário tem dessas coisas. Quando recebi sua resposta tive a certeza que ter enviado foi a melhor coisa a fazer, pois você mostrou ser uma pessoa muito doce apesar da minha falta de delicadeza. Isso me fez lembrar de um poema de Neruda:

Esperemos
Há outros dias que não têm chegado ainda, que estão fazendo-se 
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas 
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma 
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos 
que de repente chegam à porta
para premiar-nos 
com uma laranja 
ou assassinar-nos de imediato.

E foi assim que esperei a correspondência da semana: na ansiedade se receberia uma laranja ou se seria vítima de um assassinato. 

Querido S., sinta-se livre para perguntar o que quiser - o que não dará a certeza de que responderei todas as perguntas -, porque assim vamos criando laços. Não sei quem eu sou nesse enredo mas espero permanecer nele por um longo tempo.

Um oi do lado de cá,
A.


domingo, 20 de outubro de 2013

Querido(a) A.,



Primeiramente, não posso deixar de dizer que fiquei um pouco intrigado com a sua resposta. Queria te perguntar o motivo dos seus dias difíceis, mas ainda não me vejo no direito e sei que nem sempre existe um motivo específico.  Mas não precisa sentir receio sobre como vou receber suas próximas cartas. Saiba, que do lado de cá, existe outro ser humano tão exposto a problemas internos e externos quanto você (e, confesso, nem sempre gosto de falar sobre eles). Desde que recebi sua primeira carta, tenho me sentido como se estivesse dentro de uma história. Com um narrador contando, entre uma correspondência e outra, como foram nossos dias e semanas... Quem é você nesse enredo?

S.
(Fico te devendo uma foto)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Querido(a) S.,

Preciso começar essa carta contando a minha decepção ao ver a foto que você me enviou. Por que você não escreveu com sua própria letra no rodapé da fotografia? Não precisa imitar minha letra da próxima vez, por favor permita-se riscos. Quando notei isso entendi o pensamento de quem te conhece. Coragem! Não nos conhecemos, então você não precisa se esconder ainda mais - qual seria a lógica disso? Perdoe o meu mau-humor, meus dias tão tem sido aquilo que as pessoas chamariam de fáceis.
Um oi do lado de cá,
A.
 
 

sábado, 12 de outubro de 2013

Querido desconhecido,



Outubro mal havia começado e eu já contava quantos dias faltavam para o seu fim. Pegava-me verificando o calendário mais de uma vez por dia. Uma espécie de angústia me fazia agir assim. E quando não esperava mais surpresas, eis que, depois de mais um rotineiro dia, encontrei um envelope na caixa dos correios. Não estava lá, quando saí de casa. Disso eu tinha certeza! Surpresa maior foi não conhecer o remetente. Quem me conhece, diria de imediato que eu não me importaria ou não teria coragem de responder uma carta de um desconhecido. Pois bem, eles estavam errados (e a partir de hoje, farei eles errarem mais vezes). Na verdade, não sei por que comecei falando das minhas angústias, já que a minha súbita coragem, não altera o fato de que você ainda é um desconhecido. Contudo, deve haver algum motivo para essa estranha cumplicidade. Motivos estes, que espero descobrir.

S.