Outubro mal havia começado e eu
já contava quantos dias faltavam para o seu fim. Pegava-me verificando o
calendário mais de uma vez por dia. Uma espécie de angústia me fazia agir
assim. E quando não esperava mais surpresas, eis que, depois de mais um
rotineiro dia, encontrei um envelope na caixa dos correios. Não estava lá,
quando saí de casa. Disso eu tinha certeza! Surpresa maior foi não conhecer o
remetente. Quem me conhece, diria de imediato que eu não me importaria ou não teria
coragem de responder uma carta de um desconhecido. Pois bem, eles estavam
errados (e a partir de hoje, farei eles errarem mais vezes). Na verdade, não sei
por que comecei falando das minhas angústias, já que a minha súbita coragem,
não altera o fato de que você ainda é um desconhecido. Contudo, deve haver
algum motivo para essa estranha cumplicidade. Motivos estes, que espero
descobrir.
S.

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