Muita coisa aconteceu desde a última carta que te enviei. Na verdade, na vida da gente sempre acontecem inúmeras coisas: o que de fato me ocorreu foi atentar para cada pequena mudança - a maior parte delas dentro de mim. Por isso não me vi em plenas condições de responder sua carta.
Você justificou seu sumiço por falta de tempo, mas uma pessoa que muito admiro um dia me ensinou que "a verdade é que o tempo é uma abstração, você sempre o tem e não o tem - ao mesmo 'tempo' -; esse sentimento de posse é uma ilusão." Não te escrevi antes não por falta dele, mas por incapacidade minha de saber administrar os minutos que a vida me deu.
Você justificou seu sumiço por falta de tempo, mas uma pessoa que muito admiro um dia me ensinou que "a verdade é que o tempo é uma abstração, você sempre o tem e não o tem - ao mesmo 'tempo' -; esse sentimento de posse é uma ilusão." Não te escrevi antes não por falta dele, mas por incapacidade minha de saber administrar os minutos que a vida me deu.
Gostaria de te fazer algumas perguntas, mesmo sem saber se tenho o direito depois de tantos dias em silêncio. 1. Qual sua impressão sobre o livro da dedicatória? (se foi de algum amor passado espero que tenha realmente cumprido sua missão, confesso que dedicatórias prévias inibem minha leitura). 2. Crise dos 20, dos 30, dos 40, como escapar de tamanha preocupação se a transformação é necessária? (pergunto não apenas para receber outra carta sua, mas porque preciso ouvir uma terceira opinião a respeito). 3. Vou demorar para ter respostas? (sim, isso é uma forma de pedir pressa, ainda que as palavras mereçam sua hora certa).
Um oi do lado de cá,
A.

